Da cobertura parcial à demissão de jornalista… Um balanço do pós-Sete de Setembro

É muito comum a associação entre manifestação nas ruas e a esquerda política. Já era assim no meio jornalístico antes da época das mídias digitais.

Hoje, está claro que não são somente os segmentos associados à esquerda que ocupam os espaços públicos para protestar. Mas persiste a falta de cobertura ou a realização de reportagem tendenciosa e crítica quando os envolvidos em um ato coletivo são da direita.

Neste Sete de Setembro, devido às dimensões do movimento conservador, que juntou milhares de brasileiros com bandeiras e camisas verdes e amarelas nas principais vias das grandes cidades, a imprensa não teria como escapar da pauta e simplesmente ignorar o ocorrido. Mas não cobriu o fato, apenas ideias políticas foram emitidas, além de previsões apocalípticas que não se concretizaram, como a intervenção militar e o fechamento dos Poderes.

Ao invés de focar no tradicional lead e apresentar as respostas para as seis perguntas básicas de toda matéria – O quê? Quem? Quando? Onde? Como? Por quê? – a maioria dos jornalistas assumiu a posição de colunista e criticou as manifestações, ou escreveu textos evasivos sem dados precisos.

As manchetes se limitaram a falar sobre ataques à democracia e tentativas de golpe. Nenhuma análise sobre o que está ocorrendo na conjuntura política, ou porque os cidadãos se arriscariam a lotar as ruas ainda em época de pandemia.

Nada positivo, nenhum conteúdo informativo típico da cobertura de manifestações quando o público é composto por estudantes, operários da causa trabalhista, defensores da ecologia, mulheres, homossexuais e negros em luta por seus direitos. Os conservadores são equiparados a fascistas, uma classe violenta, armamentista e irracional.

Contraditoriamente a esse argumento, nenhuma ocorrência grave foi registrada, nenhum dano ao patrimônio público, ninguém morreu como alardeado na mídia, inclusive por jornalistas com uma carreira a zelar, que chegaram a gravar vídeos afirmando que os bolsonaristas iriam armados às ruas e que a oposição correria risco de ser assassinada. Nas redes, assistiu-se a um festival de absurdos na tentativa de esvaziar os atos programados.

Ideologias à parte, a manifestação foi comparável ao movimento que pediu o impeachment de Dilma e ao Diretas Já. Um Sete de Setembro diferente de todos os demais, inédito. Os participantes gritavam “fora Xande” ao mesmo tempo em que pediam o voto impresso auditável, a liberdade de expressão, o respeito à Constituição, entre outras pautas, como forma de celebrar a data nacional.

A imprensa se limitou a acusar os presentes de serem responsáveis pelas mortes por Covid de mais de meio milhão de brasileiros, de serem sabotadores de eleições.

De novo contraditoriamente, havia ali muitos médicos, enfermeiros e técnicos da área da saúde. Professores, advogados, bancários, donos de restaurantes, de lojas. Caminhoneiros, garçons, motoristas. Padres, pastores, espíritas, chefes de terreiro. Ou simplesmente, brasileiros, mas todos sem exceção chamados de anti-democráticos por parte da mídia que se diz também imparcial e objetiva.

E o pós-Sete de Setembro? Por enquanto, o Brasil continua em pleno estado democrático de direito, porém não tão democrático assim para a direita. Que o diga o jornalista Alexandre Garcia, demitido recentemente por uma grande rede de comunicação após expressar seu pensamento, ironias à parte, no quadro “Liberdade de Opinião”.jornal da cidade