Líbano tem novos protestos e confrontos; 2 ministros renunciaram Libaneses querem investigação de explosão Ministérios do governo foram invadidos Premiê propôs antecipação das eleições

Beirute, capital e maior cidade do Líbano, tem novos protestos e confrontos entre a polícia libanesa e os manifestantes neste domingo (9.ago.2020). Os ministros da Informação e do Meio Ambiente do país anunciaram o pedido de demissão.

O atos são realizados dias depois de grande explosão no porto de Beirute na última 3ª feira (3.ago.2020), que deixou pelo menos 158 mortos e mais de 5.000 feridos. A cidade ficou devastada. Manifestantes acusam o governo de negligência em relação ao caso e exigem respostas sobre a explosão.

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Segundo as autoridades locais, a explosão foi causada pela detonação de mais de 2.750 toneladas de nitrato de amônio armazenadas no porto desde que foram confiscadas de 1 navio de carga em 2014. O nitrato de amônio é 1 ingrediente comum em fertilizantes, mas também pode ser altamente explosivo se exposto a alta temperatura. Na última 5ª feira (6.ago.2020), a Procuradoria Militar do Líbano anunciou a detenção de 16 funcionários do porto de Beirute.

Em reação à explosão, no sábado (8.ago.2020), manifestantes invadiram ministérios do governo e danificaram os escritórios da Associação de Bancos Libaneses. Em faixas, pediram a “queda do regime” e chamavam o governo de “assassino”.

Em invasão ao Ministério das Relações Exteriores, a fotografia do presidente Michel Aoun, o qual os libaneses julgam culpado pela crise política e econômica do país, foi queimada.

Em 1 ato na praça Martyrs, centro da cidade, cerca de 10.000 pessoas arremessaram pedras contra os prédios. Algumas pessoas tentaram romper uma barreira que bloqueava a rua que dava acesso ao Congresso. Para impedir, a polícia lançou gás lacrimogêneo.

Neste domingo (9.ago), Manal Abdel Samad, ministra da Informação, anunciou sua renúncia do cargo. “Depois do enorme desastre em Beirute, apresento minha renúncia do governo”, disse em 1 breve discurso na televisão. “Peço desculpas aos libaneses, não atendemos às suas expectativas.”

Horas depois, Damianos Kattar, ministro do Meio Ambiente, também pediu demissão.

ELEIÇÕES PARLAMENTARES
No sábado (8.ago), o primeiro-ministro do Líbano, Hassan Diab, anunciou que irá propor eleições parlamentares.

Em discurso em rede nacional de televisão, o governante afirmou que apenas “eleições antecipadas podem permitir a saída da crise estrutural”. Disse que está disposto a permanecer no poder “por 2 meses”, enquanto a eleição é organizada.

O premiê, que formou seu gabinete em janeiro após a demissão de Saad Hariri pela pressão de 1 movimento de protestos populares, adiantou que apresentará uma proposta na 2ª feira (10.ago.2020) ao Conselho de Ministros.

“Convido as partes a chegarem a um acordo sobre o próximo passo. Proporei na 2ª feira (a reunião do) no governo a convocação de eleições antecipadas”, disse Diab. “Estamos em estado de emergência quanto ao destino e ao futuro do país”,completou.

COOPERAÇÃO INTERNACIONAL

Em reunião organizada pela ONU (Organização das Nações Unidas) e pela França, um grupo de doadores internacionais, entre eles a França e os Estados Unidos, participou neste domingo (9.ago) de uma videoconferência de apoio à reconstrução do Líbano. A organização estimou o custo das necessidades de saúde no Líbano em US$ 85 milhões.

Eles prometeram ajudar o país com mais de € 250 milhões, mas solicitaram em troca reformas políticas e que o recurso seja destinado diretamente à população.

“Os participantes decidiram que a ajuda deve ser coordenada pelas Nações Unidas e fornecida diretamente à população libanesa, com o máximo de eficácia e transparência”, declararam os representantes de cerca de 30 países em uma declaração conjunta divulgada após a reunião.

Entre os primeiros países a prometer ajuda financeira ao Líbano estão Catar com US$ 50 milhões, França com US$ 58,9 milhões, Alemanha com US$ 20 milhões. O Kuwait prometeu US$ 41 milhões e o Chipre US$ 5,89 milhões. Já a Comissão Europeia anunciou ajuda de cerca de US$ 74,2 milhões.

Além dos europeus, neste domingo, o presidente Jair Bolsonaro prometeu o envio de medicamentos por via aérea, além de 4.000 toneladas de arroz. À frente da missão estará o ex-presidente, Michel Temer, que é filho de libaneses.

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Bolsonaro participou de reunião com líderes internacionais na manhã de domingo Facebook/Jair Bolsonaro – 9.ago.2020

O papa Francisco, por meio do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, concedeu uma ajuda inicial de € 250.000 euros (R$ 1,5 milhão) para ajudar o Líbano.

Poder 360