O reality show da Globo e a manipulação intelectual escondida por trás da “reengenharia social progressista”

Peço desculpas aos nobres eruditos, com as prateleiras forradas pelos volumes de Ésquilo, Aristófanes, Platão e Goethe; acostumados com o mais elevado grau de sofisticação e que se recusam a comentar uma banalidade como um Reality Show. Este texto não é para vocês. Nele, restringir-me-ei ao nosso tempo, buscando um paralelo com a nossa realidade; algo muito banal para a aristocrática classe intelectual neoconservadora brasileira, que se dedica exclusivamente ao estudo das grandes obras e não absorve nenhuma filosofia aquém à doutrina Tomista.

Feitos os devidos esclarecimentos, sigo adiante.

Não assisti nenhum episódio do Big Brother Brasil, mas admito que acompanho os seus desdobramentos com curiosidade; especialmente depois de o diretor do programa declarar que a “pauta” deste ano seria “o racismo estrutural no Brasil”.

Como, afinal, um “reality show” pode ter uma pauta?

Entendi então que, dentro da casa, foram “confinados” vários “influencers”, entre ferrenhos militantes e “famosos comuns”. A intenção obviamente era expor o racismo intrínseco, arraigado no “brasileiro médio”.

Só que o tiro saiu pela culatra. Vigiados diuturnamente, os militantes não se resumiam mais aos “recortes” postados nas redes sociais, onde esbanjam “consciência social”. Tiveram seus pensamentos e atitudes revelados 24 horas por dia.

Abro aqui um parêntese para compartilhar uma definição de Sir Roger Scruton, que será essencial para a continuidade do raciocínio.

Segundo o filósofo britânico, em seu artigo “High culture is being corrupted by a culture of fakes”, publicado no “The Guardian”, em 19 de dezembro de 2012:

“A alta cultura é a autoconsciência de uma sociedade. […] é uma conquista precária, que dura apenas se apoiada por um senso da tradição e pelo amplo endosso das normais sociais circundantes. Quando essas coisas evaporam, a alta cultura é substituída por uma ‘cultura de falsificações’. A falsificação depende, em certa medida, da cumplicidade entre o perpetrador e a vítima, que juntos conspiram para acreditar no que não acreditam e para sentir o que são incapazes de sentir.”

O BBB 21 revelou a verdadeira face dos que lutam contra o ‘senso da tradição’.

Anos de doutrinação midiática, plantando o relativismo moral, foram destruídos ao desnudarem a hipocrisia dos que se rotulam como “oprimidos”; revelando inquestionavelmente que são eles próprios os criadores dos “monstros” que dizem combater.

Os “canceladores” foram “cancelados”. Mostraram ser o pior tipo de Ser Humano que alguém pode ser obrigado a conviver. Perderam seguidores, engajamento e, consequentemente, contratos milionários.

O descolamento da realidade dos “intelectuais da Torre de Marfim”, para quem as ‘normas sociais’ são apenas “moralismo decadente pequeno-burgês”, foi peça fundamental na equação.

Ao tomarem o “discurso militante”, amplamente aceito na “academia”, como verdade absoluta e inquestionável e, assim, acreditarem que a sociedade “comum” poderia vê-los em sua forma mais crua, romperam a cumplicidade que sustenta a ‘cultura de falsificações’.

Exposto sem a maquiagem intelectual, o discurso é tão horrendo que foi negado inclusive pela maioria daqueles que sempre militaram em seu favor.

Sendo assim, ao favorecer a autoconsciência da sociedade, expondo toda a manipulação intelectual escondida por trás da ‘reengenharia social progressista’, para uma parcela da população que não tem nenhum acesso às grandes obras da filosofia, o BBB 21 – ainda que acidentalmente – está sendo a maior contribuição contemporânea para a “Alta Cultura” brasileira.

Os eruditos que me perdoem!

“É prova de alta cultura dizer as coisas mais profundas do modo mais simples.” (EMERSON, Ralph Waldo) j. Cidade