Mayra Pinheiro processa Omar Aziz por danos morais

Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia (CPIPANDEMIA) realiza depoimento da secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde. Os parlamentares querem mais informações sobre a aquisição e distribuição de comprimidos de cloroquina pelo Ministério da Saúde, inclusive para Manaus e para o estado do Amazonas, que tiveram colapso no sistema de saúde no início deste ano, culminando com a falta de oxigênio nos hospitais. De acordo com os requerimentos, questões relativas a isolamento social, vacinação, postura do governo, estratégia de comunicação e omissão de dados também devem ser abordadas pelos senadores. À mesa, secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro. Conhecida como “Capitã Cloroquina”, por ser defensora do uso desse medicamento no tratamento da covid-19, Mayra é investigada por improbidade administrativa por conta da falta de oxigênio registrada em Manaus em janeiro. A secretária, no entanto, não deve responder os questionamentos relacionados a esse inquérito por estar protegida por um habeas corpus do Supremo Tribunal Federal. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Senador atacou a honra da secretária de Gestão do Trabalho e da Educação em Saúde

A secretária de Gestão do Trabalho e da Educação em Saúde, Mayra Pinheiro, concedeu entrevista ao programa Os Pingos nos Is, da rádio Jovem Pan, exibido nesta segunda-feira, 26. Durante a conversa, a médica falou sobre a violação de privacidade a que foi submetida na semana passada, quando teve seus dados pessoais vazados por setores da imprensa.

 

Vazamento de dados pessoais

Segundo Mayra, o Supremo Tribunal Federal (STF) havia determinado que suas informações pessoais deveriam ser preservadas, de maneira a não torná-las públicas. Porém, a ordem judicial não foi cumprida por setores da imprensa nem por parlamentares. “Vídeos foram vazados pela Rede Globo, portal G1 e The Intercept”, disse. “Isso é crime, é preciso que a população entenda a gravidade dessa situação.”

A secretária explica que a medida cautelar permitia a utilização dos dados sigilosos apenas durante os trabalhos da CPI da Covid. “É uma forma de evitar a criação de narrativas falsas contra mim ou qualquer outro depoente”, afirmou. “Então, fizemos uma reclamação constitucional no STF pelo descumprimento dessa ordem judicial. Queremos a apuração do delito, uma vez que o senador Omar Aziz é responsável pela guarda dos documentos.”

Processo contra Omar Aziz

Mayra diz ter acionado a Justiça nesta segunda-feira, 26, com o objetivo de pedir indenização por danos morais contra o presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz. “Não bastasse o desrespeito, com a quebra de sigilo e a divulgação dos dados, o senador continua dando entrevistas para veículos de mídia, criando narrativas mentirosas e dizendo que sou ‘desqualificada tecnicamente’, bem como do ponto de vista moral.”

De acordo com a secretária, Omar Aziz pode ser convocado pela Polícia Federal para prestar esclarecimentos sobre o vazamento de seus dados pessoais. “Ele tem suspeição sobre os próprios atos — responde por inúmeros processos, com vários artigos tipificados como crime”, observou. “Eu não respondo a nenhum processo. Então, espero que o senador possa responder por seus crimes e reparar o dano moral que vem me causando.”

CPI da Covid

Mayra afirma que a CPI da Covid não visa a investigar supostas ingerências do Ministério da Saúde e do governo federal durante a pandemia de coronavírus, mas sim criar narrativas difamatórias. “Primeiro, começou com a cloroquina — mas não conseguiram encontrar fatos que pudessem estar relacionados a crimes”, disse. “Depois, passou para a questão das vacinas. É um jogo muito louco, onde cada dia tenta-se encontrar algum crime.”

Conforme a secretária, o Brasil está perdendo tempo no combate à covid-19, uma vez que as atividades do Ministério da Saúde são prejudicadas em razão da CPI da Covid. “Paramos de prestar serviços à nação para responder à solicitação de novas informações que, às vezes, são combinadas pelos senadores”, explicou. “Temos de responder a esses pedidos, deixando de executar as atividades essenciais para assistir à população brasileira. Terra Brasil